17 de mar de 2015

Dez pessoas ainda são mantidas reféns em penitenciária e centro de ressocialização no RN

NATAL - O segundo dia de rebeliões nas unidades carcerárias do Rio Grande do Norte ficou ainda mais violento. Dez pessoas ainda são mantidas reféns na noite desta terça-feira em uma penitenciária e num centro de ressocialização de menores infratores. Na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal, um detento foi amarrado ao que restou das grades das celas e os presos rivais ameaçam queimá-lo vivo. No Centro Educacional de Caicó, menores infratores fazem dois educadores e outros sete adolescentes reféns.

Em Alcaçuz, a libertação do refém é condicionada à exoneração da diretora da unidade prisional, Dinorá Simas. A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) afirmou que não irá negociar com os apenados e que todas as medidas para a retomada dos controle das detenções serão tomadas. Após os motins em Alcaçuz, as celas dos quatro pavilhões ficaram destruídas e os presos circulam livremente. Os agentes penitenciários não sabem nem a localização exata do preso feito refém.

No município de Caicó, distante 250 quilômetros de Natal, dois educadores foram feitos reféns pelos menores infratores que cumprem medidas socioeducativas na instituição na manhã da terça-feira, 17. Os líderes da rebelião, no início da noite, pegaram outros sete adolescentes de grupos rivais e também fizeram reféns. Um interno ficou levemente ferido durante o motim e foi socorrido pelo Samu.

A direção da unidade confirmou que a rebelião foi orquestrada com os demais motins que ocorrem simultaneamente no estado desde o início da semana, cuja ordem saiu da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, onde cumprem pena líderes de facções criminosas que atuam no Rio Grande do Norte. A Polícia Militar e a direção da unidade seguem negociando com os menores na tentativa de finalizar a rebelião.

Nesta terça-feira, os presos das unidades carcerárias localizadas nos municípios de Mossoró, Caicó e São Paulo do Potengi, destruíram Centros de Detenção Provisória e Cadeias Públicas nas quais cumprem pena. O número de detenções destruídas parcial ou totalmente subiu para 14 em menos de uma semana.

PRF FARÁ PATRULHAMENTO EM RODOVIAS

Na tentativa de retomar o controle da situação, o Governo do Estado declarou estado de calamidade no sistema prisional e acionou a Força Nacional. Ao longo da terça-feira, três aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) levaram a Natal 155 militares integrantes da Força Nacional. Outros 60 chegaram à capital potiguar em 25 viaturas que estavam em Maceió.

Nesta quarta-feira, é aguardada a chegada de 36 agentes da Polícia Rodoviária Federal, que farão o patrulhamento das rodovias federais que cortam o estado, principalmente na Grande Natal e no Oeste, onde estão localizados os maiores presídios.

A titular da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Regina Mink, chegará a Natal na madrugada desta quarta-feira para se reunir com a secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Kalina Leite. Mink virá acompanhar as ações para controle da situação e definir a atuação da Força Nacional nos presídios estaduais.

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, o governador Robinson Faria cogitou a convocação do Exército para atuar na segurança dos presídios do Rio Grande do Norte. A oficialização do pedido dependerá da análise dos envolvidos no esquema de retomada do controle da situação do sistema prisional nos próximos dias.

Um indicativo, porém, de que o Exército poderá fazer parte da operação foi a mudança da base de apoio da Força Nacional do CAIC, na zona Sul de Natal, para o Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército Brasileiro, na zona Leste. As ações da Força Nacional não foram divulgadas pelo Governo do Estado por questões de segurança

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