2 de fev de 2015

Eleito, Cunha diz que deputados reagiram a 'interferência' do governo


Eleito em primeiro turno presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDBRJ), afirmou, em seu primeiro discurso no cargo, que a Casa “reagiu no voto a uma tentativa de interferência do governo” na eleição.

Ele disse, porém, que não haverá “retaliações” e pregou “serenidade”. “Passada a disputa, a palavra agora é de serenidade. Não terá qualquer tipo de sequela”, afirmou.
O peemedebista reforçou sua bandeira de campanha, de que garantirá “independência” ao Legislativo face ao Executivo.

“A gente deixou muito claro que ia buscar altivez e independência do parlamento. Aqui é palco de exercer os grandes debates que a Casa precisa e vai fazer. Nunca em nenhum momento falamos que seríamos oposição. Não falamos também que seríamos submissos. Não há aqui da nossa parte nenhum jogo de retaliação”, afirmou.


A gente deixou muito claro que ia buscar altivez e independência do parlamento. Aqui é palco de exercer os grandes debates que a Casa precisa e vai fazer. Nunca em nenhum momento falamos que seríamos oposição. Não falamos também que seríamos submissos. Não há aqui da nossa parte nenhum jogo de retaliação."
 
Deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara
Eduardo Cunha foi eleito em primeiro turno com 267 votos. O candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), que contava com o apoio do governo, recebeu 136 votos. Considerado “candidato da oposição”, com apoio de PSB, PSDB, PPS e PV, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), obteve 100 votos. Chico Alencar (PSOL-RJ), com somente do próprio partido, recebeu oito votos.

Após a confirmação do resultado, Eduardo Cunha concedeu entrevista no Salão Verde da Câmara dos Deputados e voltou a dizer que a Câmara não será submissa ao governo, mas também não será de oposição.

O novo presidente da Casa disse ainda que “em nenhum momento” achou que a disputa iria para o segundo turno. Cunha ressaltou que, apesar do “acirramento” do que ele chamou de “pressão” do governo sobre os deputados da base, o parlamento reagiu.

“Acho que fica uma lição de que não se pode construir a harmonia entre os poderes com a tentativa de interferir um poder no outro. Então, foi ruim, foi errado, mas agora temos de passar uma borracha nisso e tocarmos a vida do país. Então, é fazermos o nosso papel para que a gente possa fazer o trabalho que a gente se propôs a fazer”, disse.

Eduardo Cunha disse que sua relação com a presidente Dilma Rousseff será “institucional”. Ele afirmou que a Câmara garantirá governabilidade do Palácio do Planalto e que a “independência” pregada por ele na campanha “não vai atrapalhar” o Executivo.

Sem ‘retaliação’

Ao comentar o que chamou de “interferência” do Palácio do Planalto na disputa pela Presidência da Câmara, Eduardo Cunha disse que, em sua gestão, a Casa não fará “retaliação” ao governo. Ele afirmou que dará prioridade a projetos como o orçamento impositivo.
 
“Vamos exercer [o mandato] com serenidade, sem nenhum tipo de retaliação por qualquer tipo de circunstância passada. Não haverá nenhuma intenção de buscar retaliação por nada”, disse.

“O fato de a gente estar garantindo a governabilidade – necessária e que precisa ser garantida – não significa que a gente vai ser submisso. O fato de a gente colocar em pauta matérias que sejam do anseio da casa não quer dizer que faremos oposição”, completou.

Indagado sobre se o governo precisa mudar a relação com o Congresso, Cunha disse que cabe a cada parlamentar avaliar a relação que mantém com o Planalto. Ele disse em sua primeira entrevista após a vitória que não serão as ações da Presidência da Câmara que causarão instabilidade política ao governo.

“Eu não quero criticar a maneira que o Palácio do Planalto está tratando os parlamentares. Eu quero dizer é que a Casa vai ter sua dinâmica, conforme o que a Casa escolheu na votação de hoje [domingo, 1º]. O que não significa que isso dependerá de mudança, se está equivocado ou se não está equivocado, não sou eu quem vai julgar”, afirmou.

O deputado disse que, como presidente da Casa, não pode dizer se haverá sequelas entre o PT e o PMDB em razão da disputa pelo cargo. O deputado disse que o assunto é de natureza partidária e que caberá ao futuro líder da legenda na Câmara tratar o tema. “Eu não posso mais ter disputas partidárias no exercício do poder. […] Agora, eu tenho que ter outro tipo de comportamento”, garantiu.

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