8 de jan de 2015

Sede da Biopalma é invadida em Tomé-açu

Cerca de 50 índios da etnia Tembé invadiram e ocuparam, desde terça-feira até ontem, as instalações da empresa Biopalma, pertencente à Vale, no município de Tomé-Açu, nordeste do Pará.

A Biopalma, através de nota à imprensa, acusa os índios da terra indígena Turé-Mariquita de, além da invasão, terem se apossado de bens da empresa e levado do local cinco veículos (três tratores e dois carros utilitários). Estas manifestações dos indígenas estão ocorrendo desde o último dia 24 de dezembro, quando um cacique esteve no polo de Tomé –Açu, de onde retirou um trator.


A nota diz que os índios, armados, retornaram ontem ao local e, “na tentativa de impedir as atividades, se apossaram de dois tratores e um rádio de telecomunicação”.

Posteriormente, no polo agrícola de Vera Cruz, no Acará, outro grupo atacou com uma flecha um veículo da Biopalma. Nenhum empregado se feriu. Após a ação, os índios retornaram para a aldeia, conduzindo os equipamentos.

VEÍCULOS

No total, estão em posse dos indígenas nove veículos, um rádio de telecomunicação e um celular de um empregado. “A mesma ação de apropriação de veículos e materiais da empresa já havia sido realizada pelos mesmos indígenas em outubro de 2014 quando, por decisão obtida em liminar de reintegração, a Biopalma conseguiu reaver os bens, com apoio judiciário e policial”, observa a empresa.

De acordo com a nota, a Biopalma repudia este tipo de ação que coloca em risco a integridade física de seus empregados e prestadores de serviços. A empresa registrou boletim de ocorrência para as devidas providências legais.

Ela afirma que atua rigorosamente de acordo com a legislação trabalhista e ambiental e esclarece que teve acesso ao “Relatório Técnico de avaliação da água superficial e sedimento de fundo localizados em áreas potencialmente impactadas pelo cultivo do dendê nos municípios de Concórdia do Pará e Bujaru”, produzido pelo Instituto Evandro Chagas (IEC).

Segundo os lideres indígenas, a Agropalma não teria cumprido sua parte no acordo em relação ao impacto nas áreas desmatadas, como o não reflorestamento e a não redução dos agrotóxicos. A Biopalma, por meio de nota, nega as acusações. Ela também nega que tenha atividades dentro da área onde vivem os índios.

A ação dos tembés começou ainda na tarde de terça-feira, com a interdição de estradas que davam acesso à sede da Biopalma. Exigindo uma negociação e sem obterem resposta imediata, como queriam, eles tomaram equipamentos e maquinários, invadindo logo em seguida o prédio.

“Nós chegamos a nos reunir algumas vezes no ano passado, mas desde novembro a empresa e a Funai (Fundação Nacional do Índio) não nos dão resposta. Estamos todos revoltados. Queremos ser recebidos para discutir essa situação”, acrescentou o cacique Porangati Tembé, uma das lideranças do movimento, garantindo que nenhum trabalhador da empresa havia sido mantido como refém.

Por fim, a Biopalma diz que desde novembro passado tem realizado reuniões com a Funai e Ministério Público Federal para que situações como estas não voltem a ocorrer. A empresa reforça que mantém sua “firme disponibilidade para o diálogo”, sempre através da mediação da Funai.

(Diário do Pará)

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