23 de dez de 2014

Lava Jato

Petrobras: Jader Barbalho é citado na Operação Lava Jato

Matéria publicada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo cita o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) como um dos políticos de influência direta no cartel instalado dentro da Petrobras. O peemedebista aparece como um dos nomes por trás das indicações sobre a divisão das obras da estatal ao grupo fechado de empreiteiras. A reportagem apresentou um e-mail que circulou pela empresa em dezembro de 2008, antecipando a maioria das acusações contra a Petrobras que surgiram agora na Operação Lava Jato. A mensagem, de um funcionário anônimo, que se autointitula O Vigilante, menciona o nome de Jader ao lado do político que indicou Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento, José Janene (PP-PR), morto em 2010 por problemas cardíacos. “Pobres diretores, tornaram-se escravos do Janene, do Jader Barbalho”, diz. A reportagem afirma ainda que não conseguiu localizar nenhum assessor do senador paraense para comentar essa acusação.

O e-mail foi enviado como alerta a quatro diretores e 16 executivos da petroleira. “Continua a ser praticada livremente toda a sorte de maracutaias e ‘acertos’ nas cúpulas da nossa Petrobras. Isso precisa acabar”, defende O Vigilante, que escolheu o nome fictício para enviar o e-mail, Norberto Andrade Camargo - uma junção do nome de três empreiteiras que estão sob investigação na Lava Jato (Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa). A reportagem explica que a mensagem anônima é considerada por especialistas como um dos instrumentos mais eficazes de combate à corrupção porque o denunciante pode falar o que quiser sem sofrer retaliações. Como destinatários desta mensagem, aparecem Paulo Roberto Costa, Renato Duque, ex-diretor de Serviços, e Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional, todos réus da Lava Jato sob acusação de terem recebido suborno, assim como Sérgio Machado, presidente da Transpetro - que se licenciou do cargo depois que Costa disse ter recebido R$ 500 mil de propina dele por conta de contratos superfaturados.


O e-mail também foi enviado a Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da estatal que diz ter alertado Graça Foster, em 2007, dos desvios na diretoria de Abastecimento. À época, Graça, a atual presidente da Petrobras, era diretora de Óleo e Gás da empresa. A maneira como o funcionário descreve o funcionamento do suposto cartel é similar à narrativa feita por dois delatores da Lava Jato: Julio Camargo e Augusto Miranda, da Setal. Segundo eles, havia um “clube” que loteava obras pagando propina a diretores. O denunciante diz que o fato de a Petrobras não aplicar a Lei das Licitações estimulou “falcatruas e desmandos”: “Vence quem combinou vencer e ninguém se queixa, porque todos ganham (...). E ganha o diretor, ganha o lobista e ganha o político”.

A mensagem cita também o nome de Fernando Soares, chamado de Baianinho, como um dos lobistas que agia na estatal. Soares foi acusado por delatores de ter recebido US$ 40 milhões (R$ 106 milhões) de propina em 2009 e 2010 ao intermediar a venda de dois navios para a diretoria internacional, ocupada à época por Nestor Cerveró. Soares está preso na Polícia Federal de Curitiba desde 18 de novembro sob acusação de intermediar propina. O advogado de Fernando Soares, Mario de Oliveira Filho, diz que seu cliente só fez negócios lícitos na Petrobras. 

ORM

 

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