20 de out de 2014

Vício pela internet e por eletrônicos é semelhante à dependência química

 (Thiago/Divulgação)Facebook, Instagram, Snapchat, WhatsApp, RPG, Candy Crush, Ask.fm, Secret… As tentações virtuais são diversas e surgem a uma velocidade difícil de acompanhar. Enquanto a maioria das pessoas faz uso moderado para se comunicar ou entreter, muitas caem na trama on-line e não conseguem se desconectar. O vício tecnológico é um problema sério, semelhante às dependências químicas, alertam especialistas. De acordo com psiquiatras e psicólogos que debateram o tema no congresso anual da Associação Brasileira de Psiquiatria, realizado na semana passada em Brasília, um agravante é que, diferentemente de álcool e drogas, esse ainda é um campo desconhecido.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), considerado a bíblia da psiquiatria, inclui a dependência em jogos eletrônicos na sessão III, indicando que ainda são necessários mais estudos a respeito. Já a fixação em redes sociais e mensagens instantâneas é um fenômeno tão novo que ainda não entra na classificação — oficialmente, o termo usado para diagnóstico é uso problemático das tecnologias.

Apesar de serem distúrbios recentes, os especialistas alertam que é preciso cada vez mais prestar atenção neles. “O ambiente do século 21 não tem precedentes. A gente não pode demonizar a tecnologia, a gente vai ter de aprender a lidar com ela”, diz o psiquiatra Gabriel Bronstein, chefe do Setor de Dependência Química e Outros Transtornos do Impulso da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Para o psiquiatra da infância e adolescência Daniel Spritzer, fundador e coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (Geat), a dependência precisa ser estudada e tratada de acordo com cada subtipo. “Será que usar a rede social é igual a ficar vendo vídeo no Youtube ou jogando o dia inteiro? Acho que é bem diferente”, observa. Ainda assim, no cotidiano dos consultórios, os especialistas que tratam dos diversos vícios virtuais — jogos, redes sociais, smartphones e pornografia on-line — destacam características comuns às adições tecnológicas e que também estão presentes nos pacientes de dependência química, como prejuízos sociais e à saúde, queda no rendimento, dificuldade de parar, fissuras, recaídas e comorbidades (doenças que se manifestam paralelamente ao quadro), entre outras.

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