4 de set de 2014

Mitos e verdades dos exames de laboratório

Mitos e verdades dos exames de laboratório (Foto: Carmen Helena/Diário do Pará)

Entre os contos do homem do saco, da mulher do algodão e outros contos de carochinhas, existia um verdadeiro, literalmente de carne e osso: o fura-dedo. Bastava um gritar na rua, “chegou o fura-dedo”, que as crianças desapareciam, provavelmente escondidas.


O fura-dedo vestia um uniforme e percorria as ruas com uma maleta. Entrava nas casas para furar das crianças. Para a cabeça delas, era difícil entender. No entanto, o fura-dedo era um agente de saúde que fazia o teste da filariose, que é uma doença causada por parasitas.

Para muito além do fura-dedo, os contos, mitos, tabus e preconceitos ligados aos exames laboratoriais ainda resistem. Os pais do casal de irmãos Eduardo Henrique, 8 anos, e Maria Eduarda, 4 anos, sempre procuram conversar com os filhos para esclarecer as histórias na hora de fazer os exames. Ainda mais porque a mãe, Danielle Costa, é enfermeira. “É normal as crianças não gostarem de fazer exames, terem medo de agulhas. Mas uma boa distração ajuda vencer o medo na hora.

Sempre tivemos a preocupação em fazer os exames periódicos pelo menos duas vezes ao ano. Nos preocupamos com a saúde deles e é importante que eles aprendam isso desde cedo”, afirma o pai, Henrique Costa, 39, que faz questão de estar ao lado das crianças na hora da furada.

Como os dois filhos de Henrique e Daniele nasceram com problemas respiratórios, precisaram passar por exames e o cuidado aumentou. “Eles faziam uma bateria de exames. Foi difícil no início, mas hoje em dia o Eduardo segura a mão da irmã e tenta acalmá-la, oferece coragem e segurança. Nessas horas o apoio da família é importante”, diverte-se o pai. Duas vezes por ano a família Costa se submete a um check up - série de exames que inclui de hemogramas até raio-x.

Ter uma enfermeira em casa ajudou muito a esclarecer e a superar qualquer medo ou mito. “Com minha esposa isso facilitou muito, tanto para tirar dúvidas quanto na hora da agulhada. Ela fica em cima, vendo como a técnica do laboratório faz, se está tudo certo. Pois se nós adultos sofremos com várias furadas, imagina as crianças.

E não é qualquer um que sabe lidar com crianças”, alerta Henrique. Duas vezes por ano a família Costa se submete a um check up - série de exames que inclui de hemogramas até raio x. Ter uma enfermeira em casa ajudou muito a esclarecer e a superar qualquer medo ou mito ou resistência”

Jejum não é obrigatório para todos exames de sangueDe acordo com a clínica médica da Hapvida, Michelle Garcia, nos dias atuais os pacientes estão mais informados e orientados, mas ainda há certas dúvidas que precisam ser esclarecidas. “É importante o esclarecimento, como por exemplo, as mulheres podem sim coletar exames de sangue quando menstruadas.

A coleta em geral não dói, pois é rápida, mas vai depender da sensibilidade de cada um. Nem todos os exames de sangue precisam jejum, o paciente deve perguntar antes ao seu médico. Não pode ser feita atividade física antes da coleta, pois isso altera alguns resultados. Para a coleta de exames de fezes, não é preciso estar em jejum, e pode-se beber água mesmo em exames que pedem jejum”, esclarece a médica.

 Michelle atenta na importância dos laboratórios seguirem as normas técnicas e de higiene. “É importante a preparação dos técnicos e também as condições de trabalho para evitar efeitos colaterais nos pacientes, podendo haver a formação de hematomas, no local onde foi feita a retirada, mas isso é algo que logo se resolve sem grandes problemas”, explica a especialista.

“No meu ponto de vista o principal é transmitir segurança e tranquilidade, sempre se apresentando, e dizendo como vai ser realizado o procedimento e buscar relaxar ao máximo o paciente. Hoje temos aparelhos que conseguem com muita rapidez analisar as coletas dando um resultado confiável e rápido. Também se consegue com uma quantidade cada vez menor de sangue fazer os mais variados exames. Cada vez mais com a ajuda da tecnologia os exames estão ficando menos invasivos e com isso gerando mais tranquilidade ao paciente”, garante Michelle Garcia.

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