19 de set de 2014

Deputado Protógenes Queiroz investiga se Eduardo Campos sofreu atentado

Para o delegado licenciado da Polícia Federal, tragédia em Santos não foi um “acidente normal” 


Delegado licenciado da Polícia Federal, nacionalmente conhecido pela prisão do banqueiro Daniel Dantas e deputado federal pelo PCdoB desde 2010, Protógenes Queiroz divide seu tempo entre a campanha de reeleição à Câmara dos Deputados e uma outra missão: investigar a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu em um acidente aéreo em Santos, no dia 13 de agosto, quando era o candidato do PSB à Presidência da República.


“Assassinaram Eduardo Campos?!? Me aguardem...”, diz uma frase estampada, desde segunda-feira (15), no perfil do deputado no Facebook. Desde o dia do acidente, o delegado investiga, por conta própria, algumas pistas “estranhas” que afirma ter encontrado no local da tragédia. Para Protógenes, não foi um “acidente normal”.

— A partir dos vestígios que encontrei, é um ponto de partida para poder iniciar uma investigação com viés de atentado, e não com viés de acidente natural.
O deputado e delegado licenciado esteve no local do acidente cerca de oito horas após a tragédia, no início da noite de 13 de agosto. Ele já estava em Santos naquele dia, onde iria inclusive se encontrar com Campos, “por respeito” e “pela forma carinhosa com que ele me tratava”, embora não estivessem “no mesmo campo político”.

Protógenes levanta dúvidas sobre o trabalho do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão da Aeronáutica responsável pelas investigações, entre “fatos e fotos” que promete apresentar, mas somente após as eleições.

— O serviço de busca com relação ao que aconteceu com a aeronave ficou a cargo do Cenipa, que já tinha feito um primeiro trabalho, que seria recorrer à caixa-preta, uma turbina, segundo me falaram, mas deixou para trás um rastro ali de várias peças e fuselagem que estavam no local. Estava escuro, chegou iluminação de uma empresa terceirizada, não sei quem era, não sabiam informar, mas era terceirizada. O deputado afirma que, ao investigar o local, “eu vi detalhes que me chamaram atenção e que eu não gostei”, principalmente com relação aos destroços da aeronave.

“Onde é que está o trem de pouso?”, pergunta o deputado, citando uma peça da aeronave que ele encontrou e fotografou no local da tragédia. O delegado confrontou as imagens que realizou com as imagens que a Aeronáutica fez no local.

“[Analisando] a imagem que encontrei das peças recolhidas, que estão na Base Aérea [do Guarujá], não vi aquele trem de pouso que fotografei, além de [não ter encontrado] algumas partes da fuselagem”, afirma o delegado, completando que ainda não esteve pessoalmente no pátio da Aeronáutica.

“A questão da caixa-preta [que não registrou os dados do voo fatal] é uma outra interrogação”, diz o delegado.

— O simples exame de que não tem nada gravado e ficará por isso mesmo tem que ser aprofundado.
Protógenes afirma que se envolveu nessa investigação pelo respeito que tinha por Campos, mas, sobretudo, por esses elementos encontrados no local.

O deputado está elaborando um relatório que será apresentado à Procuradoria Regional da República (órgão ligado ao Ministério Público Federal) e também à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. No entanto, isso deve ocorrer somente após as eleições.
O R7 procurou o advogado Antônio Campos, irmão do ex-governador, mas não obteve contato até a publicação desta reportagem.

Na segunda-feira, Antônio publicou uma nota em seu blog informando que solicitou ao Ministério Público Federal de Santos e à 5ª Vara Federal de Santos, o convite para que Protógenes preste esclarecimentos sobre as provas encontradas e “traga aos autos os citados indícios e depoimentos que alega ter de que o acidente com Eduardo Campos teria sido atentado”.
O MPF informou ao R7 que recebeu o pedido, que ainda será analisado.

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