22 de set de 2014

Casal foi assassinado por Raifran

Família diz que jovem achado morto no PA não era envolvido com drogas

Jovem foi assassinado em viagem de Rurópolis para Belém.
Segundo a polícia, jovem era 'mula' de um esquema internacional.

 

 

A família de Leandro Vargas, encontrado morto em Tomé-Açú no dia 7 de setembro, contesta o envolvimento do rapaz com o tráfico de drogas. Segundo a polícia, o jovem estaria transportando cocaína da Bolívia quando foi assassinado. Rayfran das Neves, assassino confesso da missionária Dorothy Stang, é acusado de matar Leandro e Joseane Noronha, amiga do rapaz que o acompanhou de Rurópolis até Tailândia. O crime estaria ligado com outro crime ocorrido na Alça Viária, onde um casal foi alvejado.
Segundo o advogado da família, Jorge Tangerino, o rapaz não tinha conhecimento de que seu carro carregava drogas. “Nós não podemos, até o momento, afirmar com clareza que o Leandro participou desse tráfico. O que nós temos aqui até o momento é que ele foi usado pelo rapaz que morreu na Alça Viária. Tudo nos leva a crer é que essa caminhonete que o Leandro trouxe estaria trazendo drogas em suas partes internas e o Leandro, talvez sem saber, trouxe essa caminhonete”, afirmou.

O último contato de Leandro com a família foi uma mensagem de whatsapp, onde o jovem avisa que caso ele desapareça, está com Rayfran das Neves. Para polícia, a mensagem foi enviada momentos antes da execução.


Tráfico

De acordo com informações da polícia, Leandro foi chamado por um conhecido para receber um carregamento de aproximadamente 50 quilos de cocaína que vinha da Bolívia. O jovem teria ido apanhar a droga no interior do estado do Mato Grosso para seguir até Novo Progresso, município próximo da fronteira do MT. Lá, ele chamou Joseane para acompanhá-lo até o ponto de encontro em Tailândia, na Vila dos Palmares, nas proximidades da indústria Agropalma. No local, Leandro receberia o pagamento pelo transporte da droga, mas foi morto a tiros por Rayfran.
 
Entidades se manifestam sobre crime

Organizações ligadas à defesa dos direitos humanos no Pará manifestaram indignação com a prisão de Rayfran das Neves Sales por suspeita de envolvimento em outros crimes. Rayfran foi beneficiado com prisão domiciliar em 2013 por ter apresentado bom comportamento na cadeia.
Para o representante do Comitê Dorothy Stang, Dinailson Benassuly, a notícia de que Rayfran estaria envolvido em outro assassinato não foi uma surpresa. “Matar uma freira, anciã, idosa, de uma forma fria como ele matou, leva-se a pensar que ele não é um cara normal, ele tem um perfil de psicopata”, afirma Benassuly.

Rayfran das Neves

Condenado a 27 anos de prisão por ser assassino confesso da missionária norte-americana Dorothy Stang, Rayfran foi preso no último sábado (20) em Belém. Segundo a Divisão de Homicídios da Polícia Civil, ele seria o autor dos disparos que mataram um casal de amigos encontrados em Tomé-Açú, nordeste do Pará, no último dia 7 de setembro.
Rayfran cumpriu 8 anos em regime fechado e em julho de 2013 foi beneficiado com a prisão domiciliar porque teve bom comportamento. De acordo com a polícia, Rayfran integra uma quadrilha de tráfico internacional de drogas.
Ele vai cumprir prisão temporária de 30 dias por crime hediondo, que pode ser renovada por mais 30, para auxiliar nas investigações. A Polícia Civil acredita que possa ter amais envolvidos no crime. Cabe ao Ministério Público e Poder Judiciário revogar a prisão domiciliar de Rayfran.

 

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