18 de ago de 2014

“Tenho que participar da campanha por dois”, diz viúva de Eduardo Campos


A viúva do ex-governador de Pernambuco, Renata Campos, falou publicamente pela primeira vez na tarde desta segunda-feira (18) em Recife. Sem citar a ex-senadora Marina Silva, ela afirmou que continuará ativa nos projetos do marido e que tem a missão de participar na campanha “por dois”.

— Como participei a vida toda de campanha, dessa vez não será diferente. Pelo contrário. Tenho a sensação que tenho de participar por dois.

Renata participou hoje de ato de campanha do PSB para a eleição de Paulo Câmara ao governo de Pernambuco e de Fernando Bezerra para a vaga de senador do Estado. Ambos foram escolhidos por Eduardo Campos para concorrerem aos cargos.

— Se foi a vontade dele, é importante eleger Paulo, Raul [Henry, candidato a vice] e Fernando.
Renata chegou ao centro de recepções Blue Angel, na zona norte do Recife, por volta das 12h15. Elas estava acompanhada dos filhos João, Pedro e Maria Eduarda.


A viúva de Eduardo foi tratada pelas lideranças do partido como a herdeira do legado de Campos, candidato do PSB à Presidência da República que morreu na última quarta-feira vítima de um desastre aéreo.

Renata afirmou que, logo após a tragédia, ao ser perguntada o que faria a partir daquele momento, respondeu que era importante “manter tudo como ele queria”.

— Pode parecer que o nosso maior guerreiro não está na luta. Mas seus sonhos sempre estarão vivos em nós.

A mulher de Campos usou ainda frases emblemáticas da campanha do PSB à Presidência para honrar a memória do marido.

— Teremos a sua coragem para mudar o Brasil. Não desistiremos do Brasil. É aqui que criaremos os nossos filhos. Fique tranquilo, Dudu, nós estamos aqui.

Herdeira

As lideranças do PSB esperam contar com a ajuda de Renata para manter de pé toda a força política construída em torno do nome de Campos.

Neto do ex-governador pernambucano Miguel Arraes e apadrinhado político do também pernambucano e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Campos era o grande nome da cena política do Estado. Ele controlava o governo desde 2007 (seu atual mandato se encerra apenas no fim deste ano) e também a prefeitura de Recife, comandada por Geraldo Júlio — nome que Campos conseguiu emplacar, embora fosse desconhecido da população no início da campanha.

Mas o projeto do PSB no Estado corre o risco de ser desfeito porque o escolhido de Campos para sucedê-lo no comando de governo, Paulo Câmara, está atrás nas pesquisas de intenção de voto. Quem lidera até o momento é o senador Armando Monteiro (PTB-PE), que conta com apoio do PT e de Lula.

Por isso tudo, a participação de Renata é vista como fundamental na campanha, faltando apenas 45 dias para as eleições de 5 de outubro.

Câmara chegou a dizer hoje que não foi escolhido apenas por Campos, mas também por Renata para ser o governador do Estado.

— Eduardo e Renata me chamaram e disseram: “Eu quero que você seja governador de Pernambuco”.
Ao convocar a militância do partido para dar seguimento à campanha eleitoral, Fernando Bezerra também uniu a figura de Eduardo Campos à de Renata.

— Eduardo vai falar pelas palavras de Renata. Mas vou dizer uma coisa que ele está dizendo e só estou verbalizando: “Vamos pegar no serviço”.

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