23 de jul de 2014

Famílias são vítimas de golpe da casa própria

Famílias são vítimas de golpe da casa própria (Foto: Antonio Cícero/Diário do Pará )
O sonho da casa própria levou mais de 40 famílias a serem supostamente lesadas por uma quadrilha de estelionatários na compra de apartamentos no Residencial Viver Ananindeua, localizado na avenida Cláudio Sanders, no município de Ananindeua, Região Metropolitana de Belém.

De acordo com os denunciantes, mais de cinco pessoas estavam envolvidas na fraude. Elas se identificavam como corretoras de imóveis e funcionárias da Caixa Econômica Federal. O professor I.B.V. foi uma das vítimas da quadrilha. “Fui apresentado à senhora Marta Santos, que me ofereceu a chance de comprar um apartamento no residencial Viver Ananindeua no valor de R$ 130 mil, através do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, via Caixa Econômica. Inicialmente, ela me cobrou R$ 1.500 de entrada do imóvel, três parcelas de R$ 120 e outra de R$ 590. Além disso, paguei algumas taxas entre os meses de novembro de 2013 e julho de 2014”.
Depois do investimento, o professor descobriu que ele não estava pagando sua casa própria, mas sim um suposto aluguel. “A questão é que o apartamento já tinha dono. A Marta passava o dinheiro para o outro dono do imóvel como se eu fosse um inquilino. Fiz a minha mudança no dia 4 de novembro do ano passado, fui apresentado ao porteiro por ela como o dono do apartamento. Na época, a sindica não questionou absolutamente nada”, disse I.B.V.
Quando o professor percebeu que estava sendo vítima de um golpe, foi procurar o atual síndico e os donos do seu suposto apartamento. “O síndico disse estar tomando conhecimento da situação, após nove meses em que ela estava alastrada. Foi aí que dei início à investigação sobre a vida da senhora Marta Santos e de seus comparsas Lenny Brandao e Ricardo Brandão. Pedia o documento legal do apartamento e elas davam desculpas, sempre adiando o prazo”, explicou.

PROBLEMAS
Segundo ele e os demais denunciantes, os supostos comparsas de Marta se passavam por funcionários da construtora e das agências de Nazaré e Ananindeua da Caixa. Durante a investigação, o professor descobriu que outras pessoas também estavam sendo vítimas da quadrilha. Marta Santos também residia no condomínio Viver Ananindeua, mas, após ser desmascarada, fugiu de sua casa.
Os moradores também acreditam que houve uma deficiência por parte da administração do condomínio, já que a entrada e a saída, além das mudanças dos supostos proprietários, eram liberadas normalmente pela portaria. O síndico Paulo Reinaldo Santiago, que assumiu o cargo em novembro do ano passado, diz que, ao tomar conhecimento do caso, tentou registrar ocorrência na polícia, mas não conseguiu, já que não é proprietário dos imóveis. “Não posso registrar a ocorrência por ninguém, mas estamos pedindo um inquérito policial”, esclareceu. O residencial é composto por 900 unidades de apartamentos, mas apenas 400 famílias moram no local. 
Vários boletins de ocorrência já foram registrados na Seccional do Paar. O professor fez um dossiê com vários documentos que comprovam as acusações para ser entregue ao Ministério Publico do Estado, à Caixa Econômica, à administração do condomínio e à construtora Inpar (atual Viver), responsável pelo residencial. Em reunião, as famílias vítimas do golpe decidiram, em comum acordo, que irão recorrer ao MP. A Polícia Civil já investiga o caso.
A reportagem fez contato com a assessoria do escritório local da Caixa Econômica Federal, solicitando posicionamento sobre o assunto, mas o banco respondeu que, “com base nas informações repassadas, não foi possível apurar o caso com mais detalhes”. A reportagem não conseguiu contato com a Construtora Viver.
ENTENDA O CASO
Segundo denúncia, Marta Santos, acusada de ser a cabeça da quadrilha, apresentava os compradores a Lenny Brandão, que se passava por corretora de imóveis e correspondente da Caixa Econômica Federal. Segundo os denunciantes, o nome apresentado por ela é falso e os documentos pertencem a Jocilene Brandão, que é possivelmente mais uma vítima da acusada.
Marta Santos, de acordo com as denúncias, usava o número do CPF da sua mãe para colocar nos recibos entregues aos clientes. Ricardo Brandão é acusado de falar com as vítimas por telefone como se fosse funcionário da Caixa Econômica. Seu verdadeiro nome seria Diogo, também morador de Ananindeua. Luiza foi apontada como a pessoa que ajudou Marta a aplicar o golpe em 13 pessoas.
(Diário do Pará)

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