9 de jun de 2014

Projeto transforma dinheiro velho em adubo


Projeto transforma dinheiro velho em adubo  (Foto: Divulgação)Cultivar plantas utilizando notas de dinheiro. Essa é a proposta do projeto da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) que visa a reutilização de cédulas velhas de real, como componente na produção de composto orgânico. O projeto é coordenado pelo professor Carlos Costa, do Instituto Socioambiental e Recursos Hídricos (ISARH/Ufra).


      O trabalho já tem sete anos de existência e foi idealizado a partir de uma parceria com o Banco Central. Só no Escritório Regional em Belém são aproximadamente 16 toneladas mensais de papel moeda que saem de circulação. Em todo o país, o banco retira de circulação, mensalmente, mais de 110 toneladas de notas de real. Um custo anual que pode chegar a R$ 501,6milhões só de reposição das chamadas “cédulas inservíveis”, que são as notas velhas, rasgadas e rabiscadas, recolhidas e trituradas pelo Banco Central. 

      Antes essas cédulas iam para lixões ou eram incineradas, mas com criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece uma série de regras para a destinação do lixo, o “dinheiro velho” precisa seguir algumas normas e ter um outro destino. Alguns projetos no país apresentaram propostas para reutilização dessas cédulas e tem o convênio com o Bacen. Um deles é o da Ufra, pioneiro no Brasil ao utilizar as cédulas em produto utilizável na agricultura.

TÉCNICA

      A partir da técnica da compostagem, são misturadas 10% de cédulas de real trituradas, 50% de palhada (capim, palha comum) e 40% de horti-fruti (restos de frutas e verduras que são descartados) que se transformam em adubo orgânico. Segundo Carlos Costa, uma das dúvidas muito comuns diz respeito aos componentes químicos existentes no papel moeda, se seriam poluentes. 

      “Várias análises laboratoriais já foram feitas e demonstraram que há baixa concentração de metais pesados nas cédulas e que o próprio manuseio do dinheiro faz com que esses compostos saiam com o tempo. Ou seja, grande parte dos elementos são perdidos na manipulação das cédulas quando elas estão em circulação e o restante, uma quantidade mínima, sai no chorume ou volatizam durante a compostagem”.

      Vinte produtores do estado estão cadastrados para participar do projeto e três deles, dos municípios de Capitão Poço e Irituia já estão recebendo as cédulas e produzindo o adubo orgânico. Segundo o pesquisador, o projeto tem recebido especial atenção do Bacen por ter um custo praticamente zero e um forte apelo social. 
“Nós sabemos que um dos impactos na renda do produtor é com a compra do adubo que vem dos esterco de boi ou de galinha, tradicionalmente usado na agricultura. Com o projeto, os custos são praticamente nulos, já que para produzir o adubo a partir das cédulas só é necessário restos do horti-fruti das hortas caseiras que os pequenos produtores possuem, mais a palhada, obtida através de capina dos terrenos. Não há necessidade de grandes aparatos tecnológicos. Com tudo isso diminuem os gastos, e aumenta a renda desses trabalhadores”.

      O convênio entre Ufra e Bacen encerrou em dezembro de 2013, o que originou dados de análises de macronutrientes, micronutrientes e metais pesados, a partir de amostras de 12 tratamentos envolvendo composições diferentes de horti-fruti, que demonstraram a viabilidade do composto para fins de utilização na agricultura. 

(Diário do Pará)

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