26 de mai de 2014

Sistema agroflorestais se firmam na Amazônia

Sistema agroflorestais se firmam na Amazônia (Foto: Divulgação)

O Sistema Agroflorestal (SAF), que associa a produção de alimentos e a florestal em uma mesma área, firma-se como alternativa de produção sustentável na Amazônia. Além de promoverem a conservação ambiental e diversificarem a produção, os SAFs tornam possível melhorar a qualidade de vida das comunidades rurais, com segurança alimentar e geração de trabalho e renda o ano todo.

“A legislação brasileira estimula a utilização do sistema agroflorestal para a recuperação de áreas degradadas e a recomposição florestal”, salienta o pesquisador Osvaldo Kato, da Embrapa Amazônia Oriental, sediada em Belém.

Opção estratégica para agricultores familiares, pequenos e médios produtores da Amazônia, os SAFs fornecem serviços socioambientais com potencial de serem valorados e convertidos em créditos ambientais. No Pará, o agricultor familiar Manoel do Carmo investe nesse potencial. Espécies madeireiras como paricá, teca, mogno e tatajuba compõem a floresta em crescimento do agricultor, em Tomé-Açu. “Planto para recompor o que desmatei e diversificar a renda no futuro, inclusive com turismo rural”, planeja Manoel do Carmo.

A diversificação característica dos sistemas agroflorestais favorece a segurança alimentar, como atestam os agricultores familiares que tradicionalmente já faziam consórcio de culturas como forma de extensão dos próprios quintais.

Cuia, café, pupunha, manga, coco, jambo, bacaba, açaí, cupuaçu, cacau, paricá, piquiá, laranja, mamão, castanha. São mais de 50 espécies na propriedade do agricultor familiar Firmo de Jesus Cordeiro, de Irituia. Tudo plantado sem uso do fogo, informa ele. “Todo o tempo eu tenho um produto pra vender e não me falta o pão de cada dia, graças a Deus”, comenta Cordeiro.
OS PIONEIROS

No Pará estão os SAFs mais antigos da Amazônia, iniciados por descendentes de imigrantes japoneses que procuravam uma alternativa rentável aos monocultivos da pimenta-do-reino dizimados pela fusariose - doença causada por fungo (Fusarium solani f. sp. piperis) detectado no solo dos pimentais do Pará no final dos anos 1950. Os primeiros SAFs foram implantados na década seguinte em Tomé-Açu, município onde extensas coberturas agroflorestais dominam a paisagem desde então.

Inspirados nos quintais produtivos dos ribeirinhos, no conhecimento tradicional e na biodiversidade da floresta amazônica, os agricultores de Tomé-Açu plantaram espécies frutíferas e florestais dentro dos pimentais decadentes, a começar pelo cacau, relembra o produtor rural Michinori Konagano, um dos pioneiros na implantação de SAFs comerciais na Amazônia.
(Diário do Pará)

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