14 de nov de 2013

Salame confirma gravações à polícia

Salame confirma gravações à polícia (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)
(Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)
A linha de investigação da Polícia Federal (PF) no caso da gravação feitas pelo prefeito de Marabá, João Salame, dentro do carro do ex-deputado e ex-prefeito de Marituba, Antônio Armando Amaral de Castro – conversa na qual Armando revela suposto pagamento de propina a alguns juízes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para livrar da cassação prefeitos em maus lençóis – será ampliada depois que um fato novo chegou ao conhecimento do delegado Uálame Machado, responsável pelo inquérito: três prefeitos e ex-prefeitos do sul e sudeste do Estado também estariam dispostos a falar sobre cobrança de propina da qual supostamente teriam sido vítimas. 
Os nomes dos gestores chegaram ao conhecimento do delegado da PF durante o depoimento de João Salame, ontem pela manhã, em Belém, mas não serão revelados para não atrapalhar a investigação. Eles podem ser chamados para depor. Antes de falar com Machado, o prefeito de Marabá disse ao Diário que tinha sido convidado para dar depoimento e “prestar todas as informações possíveis”. 
Segundo Salame, há um diálogo gravado entre ele e Antônio Armando e, por isso, estava disposto a contar também tudo o que aconteceu. “Pretendo ajudar a polícia no que for necessário”, afirmou. O depoimento durou cerca de 90 minutos. Machado não quis se pronunciar a respeito das declarações feitas por Salame. “Como o Ministério Público e o Tribunal Regional Eleitoral não se pronunciaram, ele preferiu também não falar sobre o assunto”, disse Fernando Sérgio, assessor de comunicação da PF. 
O delegado pediu a Salame que evitasse comentar com a imprensa os termos mais importantes de seu depoimento e recebeu a promessa do prefeito de que isso seria feito. Em Brasília, antes de retornar ao Pará, o prefeito também depôs no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), perante o conselheiro paraense Gilberto Martins Valente, que hoje é o ouvidor do órgão. O CNJ deve mergulhar a fundo no caso para esclarecer se as denúncias de venda de sentenças no TRE são procedentes ou mentirosas.

Advogado do prefeito também foi ouvido

Quem também depôs na PF foi o advogado Inocêncio Mártires, defensor de Salame no processo no TRE e também no recurso em que o prefeito se manteve no cargo, após a liminar ser aceita pelo ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), anteontem. Mártires informou ao DIÁRIO que o delegado Machado quis saber quando ele manteve contato com o presidente do TRE, desembargador Leonardo Tavares, e também qual a data em que entregou a Tavares a gravação com os diálogos entre Salame e Antonio Armando.
O advogado respondeu que o primeiro contato pessoal, no gabinete de Tavares, foi no dia 17 de outubro passado. Já a gravação foi entregue ao desembargador no dia seguinte, 18. “Eu mandei um e-mail com a gravação direto para o e-mail do secretário geral do tribunal, que o entregou ao presidente”, contou Mártires. Ele acrescentou que Tavares ficou “extremamente indignado” ao tomar conhecimento do conteúdo da gravação, prometendo tomar “medidas enérgicas”. 

Sobre as declarações de Salame à PF, Mártires disse que o prefeito apenas “confirmou” tudo o que tinha sido divulgado pela imprensa, explicando que não partiu do prefeito a divulgação do caso, mas do Ministério Público Federal (MPF), que distribuiu a notícia aos veículos de comunicação. Não confirmou se Salame irá pedir a perícia da voz dele, informando que talvez isso não seja necessário, a menos que Antonio Armando, quando depor à PF, negue que a voz seja dele, como já antecipou o advogado que o defende.

Prefeito foi reintegrado ao cargo ontem

Na tarde desta quarta-feira (13), o prefeito João Salame voltou a Marabá trazendo consigo uma liminar deferida pelo ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que garante o retorno dele ao cargo para o qual foi eleito ano passado, após ter sido afastado numa controversa decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PA).
Praticamente todo o espaço interno e externo do aeroporto de Marabá foi tomado por populares que foram esperar o retorno de João Salame. 
Espremido em meio à multidão, o prefeito conversou com a imprensa, destacando que voltou ao cargo antes mesmo de ter sido notificado pela Justiça Eleitoral, pois o ministro do TSE agiu de forma rápida por entender que havia “uma manifesta ilegalidade” na decisão do TRE-PA.
Salame chamou atenção para o fato de que ele foi o quarto prefeito do Pará reintegrado ao cargo, pelo TSE, nos últimos dias. “Espero que o Tribunal Regional Eleitoral do Pará faça uma reflexão e compreenda que não pode continuar insistindo em atropelar a legislação”, afirma o prefeito.
Em seguida, João Salame saiu em carro aberto pelas ruas da cidade, seguido por uma carreata até a sede da prefeitura onde discursou para uma multidão que já o aguardava ali. A decisão do TSE foi uma liminar e o mérito da questão ainda será julgado.
Mas Salame se diz tranquilo porque o próprio TSE percebeu que houve “flagrante ilegalidade” no seu afastamento pelo TRE: “Eu tenho certeza de que no julgamento do mérito haveremos de provar nossa inocência e nossa condição de político ficha limpa”. 

Gravação em vídeo

Além de uma gravação de áudio em que Salame instiga o ex-prefeito de Marituba, Antônio Armando, a revelar possíveis indícios de corrupção no TRE-PA, o prefeito de Marabá também revelou à Polícia Federal e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a existência de um vídeo comprometedor. “Existe um vídeo com a presença do ex-prefeito Antônio Armando e o considerado atual esposo de uma juíza entrando no meu apartamento, na garagem do meu prédio, e eu disponibilizei esse vídeo para o CNJ e para a Polícia Federal”, confirmou Salame.

(Diário do Pará)

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