30 de out de 2013

Obras no Baenão revelam dinheiro escondido

Obras no Baenão revelam dinheiro escondido (Foto: Mário Quadros/Diário do Pará)
Foto: Mario Quadros
Em 1989, o Clube do Remo, que vivia uma década de pouco destaque, ofuscado pelos rivais Paysandu e Tuna, começaria a dar a volta por cima com um time que ficaria conhecido como “Esquadrão Cabano”, por ser basicamente um time de atletas regionais. Mas por que relembrar esse distante momento agora? Porque durante as obras no Baenão foram encontrados, nessa terça-feira, cédulas e moedas de Cruzados Novos, dinheiro corrente entre 89 e 90 e que algum torcedor azulino esqueceu no estádio, ficando enterrados desde então. Um pequeno pedaço de 89 que nos remete a um tempo em que o Leão Azul, e o próprio Brasil, lançavam bases para se reestruturar.
O time montado pelo presidente Ubirajara Salgado e Ronaldo Passarinho com valores regionais conquistaria um tricampeonato, entre 1989 e 1991, e foi a base que chegaria às semifinais da Copa do Brasil de 91 e conseguiria o acesso à Série A em 92. O torcedor que foi ao Baenão ver aquele time jogar possivelmente pode ver em campo Wagner Xuxa, Paulo Verdan, Chico Monte Alegre e Bebeto.
Se esse torcedor foi em uma das primeiras partidas do Parazão 89, pode ter visto algumas das poucas partidas do craque Luizinho das Arábias com a camisa azulina, ou se foi na vitória por 2x0 sobre o Pinheirense, talvez tenha visto a homenagem que o clube fez, na entrada em campo, ao atleta que falecera poucos dias antes, de problemas cardíacos. Atletas do time perfilaram no gramado do Baenão e ao ouvir o nome do antigo colega pelos auto-falantes o aplaudiram, junto com a torcida.
Acima de tudo, o torcedor que perdeu seus cruzados no Baenão, certamente depositou uma dose de esperança no reerguimento do seu clube após alguns anos de endividamento e resultados ruins em campo. Assim faz hoje o torcedor que hoje vai aos amistosos do time comandado por Charles Guerreiro, ou que acompanhou o sub-20, comandando por Waltinho, na Copa do Brasil. A esperança de ver um time, com a cara do seu torcedor e que volte a arrebatar títulos e colocar o clube na disputa de competições é um sonho que 24 anos depois ainda é atual.

Remontando um Leão Cabano?

A promessa de um time forte e regional se repetiu várias vezes, de 91 pra cá nos arraiais azulinos, mas, com raras exceções, o clube acabava decaindo na estratégia das importações em massa com resultados pífios ao final. Segundo os novos dirigentes do futebol azulino, as coisas vão ser diferentes na próxima temporada. “Vamos montar o melhor time do Remo nos últimos 10 anos, pelo menos no papel”, promete o diretor de futebol Thiago Passos. “Para o próximo ano a meta é aproveitar esses atletas de destaque das categorias de base e os valores regionais que o Charles Guerreiro vem indicando. Faremos apenas oito contratações pontuais de atletas que vem ‘para resolver’, sendo uma delas um craque diferenciado para arrastar o torcedor pro campo”, afirma o dirigente azulino.

O Brasil – 89 e hoje

Em 1989, o Brasil ainda se reacostumava com a democracia, após 20 anos de ditadura militar. Elegia de forma direta seu primeiro presidente naquele ano – Fernando Collor de Mello, cujo governo seria interrompido por um impeachment em meio a diversos casos de corrupção. As privatizações de empresas estatais, que retornam ao debate público hoje em dia, começaram no seu governo. O primeiro documento da fundação do Mercosul, onde hoje o Brasil é líder, foi assinado no seu governo e a integração econômica na América do Sul ainda dava passos modestos, em comparação ao seu tamanho atual.

(Diário do Pará)

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