17 de out de 2013

Direito de idosos ao lazer é garantido por lei

Direito de idosos ao lazer é garantido por lei (Foto: Thiago Gomes/Diário do Pará)“Desde que nasci, eu já era remista”, garante o azulino Raimundo Assis, 67. No que depender da torcida de seu Assis, o Clube do Remo vai continuar quebrando recordes de público, apesar de não ter série no Campeonato Brasileiro. Ir ao estádio assistir aos jogos do Leão é o programa favorito do aposentado. O melhor de tudo, de graça. O amparo da lei para que idosos tenham acesso a programas de lazer, esportes, arte e cultura é o tema de mais uma matéria da série ‘Agente do Bem’, que o projeto “Orgulho de Ser do Pará” veicula no DIÁRIO e RBATV, abordando histórias de pessoas comuns que ajudam a melhorar nosso dia a dia e lutam por cidadania. Nesta fase, ao longo de 45 dias o leitor vai poder acompanhar reportagens que envolvem o cenário da terceira idade e de pessoas com deficiência. O Estatuto do Idoso garante pelo menos 50% de gratuidade para idosos em atividades culturais, de lazer e esportivas. No Estado, os maduros são beneficiados ainda pela Lei 5.753/93, que assegura a gratuidade total nesses eventos. “Essa gratuidade faz com que os idosos consigam uma oportunidade de integração familiar e cria uma aproximação com netos e filhos, com a sociedade em geral”, pontua o promotor de Justiça de Defesa dos Deficientes e Idosos, Waldir Macieira.
Ele lembra que a lei estadual representa uma conquista para os idosos. Questionada por redes de cinema, a lei foi legitimada pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJE), a partir de uma liminar do Ministério Público do Estado (MPE). O TJE acatou recurso do MPE, entendendo que a Lei 5.753/93 é constitucional. 
           É por conta dos direitos conquistados a partir da Lei Estadual 5.753/93, que seu Assis frequenta todos os jogos profissionais do Leão – o seu time do coração. “Só torço para o Remo. E para time nenhum mais”. E essa é uma decisão familiar. “Todo mundo da minha família só é Remo. E os meus bisnetos todos vão ser Remo também”, sorri. 
Quando morava em Moju, no nordeste do Estado, os jogos eram acompanhados pelo rádio. Depois que veio para a capital paraense, vivenciar as jogadas de perto e vibrar com os lances virou quase que programa obrigatório.
Seu Assis não abre mão de assistir ao clássico com o maior rival: o RExPA. “Os jogos do profissional eu não perco, principalmente quando joga com o Paysandu. Aí que eu não perco mesmo”, ressalta. 
             Na terceira idade, a paixão pelo futebol do remista ganhou uma vantagem: a gratuidade no acesso aos estádios. Para isso, basta chegar uma hora antes da partida e tirar o ingresso na portaria. 
Antes os ingressos de gratuidade eram retirados com antecedência – mas a prática virou oportunidade para cambistas, que falsificavam gratuidades para vender. Agora, os idosos podem adquirir os ingressos grátis, comparecendo ao local do jogo com documento de identidade em mãos.
             Anos habituado a ouvir os 90 minutos pelo rádio com transmissão AM, seu Assis tomou contato com outra dimensão da sua paixão: assistir as partidas ao vivo transformou a experiência. Cada lance, jogadas polêmicas, substituições, faltas, penalidades e gols passaram a ter uma sensação nova. “É muito diferente. No rádio você não tá olhando, só escutando”, sorri. 
           Mesmo se não houvesse a gratuidade, seu Assis garante que assistiria as atuações do Leão de qualquer jeito. Para ele, comparecer aos jogos do Clube do Remo é mais do que uma oportunidade de acompanhar os netos. É uma paixão que vem de berço e se fortalece com os anos. “Acho bom. É um direito, é lei! Claro que pagaria se não tivesse gratuidade. Mas sem pagar é melhor”, gaba-se.

(Diário do Pará)

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