3 de set de 2013

Zenaldo tem 72h para responder a servidores do PSM

Zenaldo tem 72h para responder a servidores do PSM (Foto: Celso Rodrigues/Diário do Pará)
(Foto: Celso Rodrigues/Diário do Pará)
Abrigados em baixo de duas tendas improvisadas, um grupo de servidores municipais de saúde iniciaram o dia de ontem do lado de fora do Hospital de Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de março. Paralisados desde as 7h, eles pleiteavam melhorias nas condições de trabalho e cobravam soluções da prefeitura para os graves problemas que vem acontecendo, segundo os servidores, há bastante tempo no hospital.
De acordo com a presidente da Associação dos Servidores de Saúde do Município de Belém, Rosana Oliveira, a paralisação foi uma advertência ao governo de uma possível greve que pode ser declarada, caso não haja acordo. “A situação já estava crítica aqui e até o momento só fazem promessas. Por isso resolvemos paralisar em 70% como uma forma de advertência”, alertou, ao apontar um dos problemas enfrentados pelos servidores no HPSM da 14. “Não podemos mais admitir maqueiros transportando pacientes pela escada. Estamos sem direção, sem secretário de saúde, há apenas uma coordenação e essa coordenação que está aqui não vai resolver os problemas”.
Segundo os servidores, a utilização da escada para o transporte de pacientes recém-operados já vem acontecendo há quase dois meses. De acordo com o maqueiro Vladimir Miranda, apesar de mais grave, essa não é a primeira vez que os servidores são obrigados a carregar os pacientes por problemas no elevador do prédio. “O elevador está parado. O bloco cirúrgico e o CTI (Centro de Tratamento Intensivo) ficam no segundo andar e temos que subir e descer pelas escadas com pacientes operados para que eles façam exames”, contou, ao lembrar que, pela escada, são necessários seis maqueiros para transportar um paciente, enquanto, pelo elevador, são necessários apenas dois servidores. “Eu trabalho aqui há doze anos e sempre foi essa peleja. Ajeitam o elevador hoje e amanhã já está quebrado, mas dessa vez parou mesmo”. 
No que diz respeito à realização de exames básicos, os servidores também apontam sérios problemas. De acordo com um técnico que trabalha no setor de Raio-X e que, com medo de retaliações, preferiu não se identificar, há dois anos os servidores trabalham sem a possibilidade de mensurar a quantidade de radiação a que estão expostos. “Nós temos apenas um Raio-X funcionando e há dois anos estamos trabalhando sem dosímetro, não temos como medir a radiação que estamos recebendo”, afirmou. “A tomografia parou às 18h de sábado por falta de manutenção. Acontece de não ter luva, não ter medicação básica para dor, antibiótico, anti-inflamatório”.
Faltam remédios
Acompanhante do marido internado há três dias no HPSM da 14, a dona de casa Elisângela Lopes é a confirmação das denúncias feitas pelo servidor. Segundo ela, mesmo que o prontuário médico apontasse a necessidade de outras medicações, na manhã de ontem, seu marido, Valdir Moraes Almeida, só pode tomar remédio para dor. “Nem todos os medicamentos têm aqui. Hoje ele só tomou um, que era pra dor. Como ele levou uma descarga elétrica, teve que fazer uma drenagem no braço e ele precisava tomar um remédio que o médico passou pra cicatrizar, mas não tem”, afirmou. “Eu falei com a enfermeira hoje e ela disse que não podia fazer nada porque não tem remédio. Disse que tava dando o que o médico passou, mas não todos porque não tem todos os remédios”.
Para além do problema com a falta de medicação, a dona de casa ainda aguardava pela realização de exames mais aprofundados no marido. “Eu queria que ele fizesse um exame melhor na perna porque está com muita dor, nem está conseguindo andar. Até agora só fizeram exame de sangue”, garantiu. “Viemos de Santa Izabel com ele porque lá o hospital não tinha como fazer esses exames. Viemos para cá pensando que ele ia ter mais estrutura, mas até agora não fizeram o exame nele e a gente nem sabe o que ele tem”.
Ainda que a manhã de ontem tenha encerrado com a conquista do exame de Raio-X pela mãe, a doméstica Cleudilene Fonseca fez questão de prestar solidariedade à paralisação da categoria. Na entrada do PSM, ela fez questão de descrever o cenário encontrado atrás das grades do hospital. “Todo o tempo a gente vem procurar atendimento aqui e não tem Raio-X. Dessa vez que ela [mãe] conseguiu. Não tem medicação, a gente vê as pessoas morrendo e ninguém faz nada. O prefeito veio falar dos três ‘S’ dele e a gente não vê nem o da saúde funcionar”, revoltou-se. “É um descaso muito grande. Eu apoio a luta deles sim porque como eles vão atender? Eles querem atender, mas não tem como”.
“Se entrarem aí vão ver que as pessoas estão nos corredores imundos. A gente não é bicho, a gente é cidadão”, complementou Sandra Cléa Miranda Fonseca, mãe de Cleudilene.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que, apesar da paralisação o atendimento de urgência e emergência foi mantido. Os procedimentos médicos foram garantidos por 30% dos servidores, o que gerou alguma demora no serviço. 
A Sesma ressaltou ainda que uma comissão de servidores se reuniu, na manhã de ontem, com a direção do hospital e representantes da Secretaria, para avaliação da pauta de reivindicações. A associação quer protocolar o documento para oficializar as reivindicações juntio ao prefeito Zenaldo Coutinho.
Negociação só com o prefeito
Os servidores do Pronto-Socorro Mário Pinotti, da travessa 14 de Março, entregaram, às 17h de ontem, uma pauta de reivindicações à coordenadoria da direção do hospital, que deve ser repassada ao prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho. 
Eles pedem providências para o tomógrafo quebrado há três dias; conserto do elevador, parado há duas semanas, e da estufa e autoclaves, equipamentos usados para esterilização. “Os materiais não estão sendo esterilizados no hospital, só no PSM do Guamá. A gente fica com déficit de materiais esterilizados para usar”, reclama Rosana Oliveira, presidente da Associação dos Servidores de Saúde do Município de Belém (Assesmub).
Ela denuncia que, por conta do elevador quebrado, os maqueiros estão transportando pela escada os pacientes recém-operados e em estado grave para o CTI. “Eles tem que carregar pacientes graves do térreo até o segundo andar”. 
Os servidores não cobram reajuste salarial, mas pedem isonomia no vale alimentação de R$ 220, atualmente pago somente para funcionários de tempo integral e isonomia da gratificação HPSM. O benefício é de R$ 1.500 para nível superior, R$ 1.100 para nível médio e de um salário mínimo para o setor operacional.
Os servidores querem negociar diretamente com o prefeito. “Demos 72h para que o prefeito avalie o documento e marque uma agenda com a associação. Queremos o prefeito e a Semad (Secretaria Municipal de Administração) juntos para negociar”. Zenaldo ainda não anunciou o nome do novo secretário municipal de Saúde (Sesma).
(Diário do Pará)

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