3 de set de 2013

Patronal endurece e greve de operários continua

Patronal endurece e greve de operários continua (Foto: Thiago Gomes/Diário do Pará)A mobilização foi grande durante a manhã de ontem, primeiro dia de greve do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção do Pará (Stimcb-PA). Reunidos em frente à sede do Sindicato, na Travessa Nove de Janeiro, centenas de trabalhadores seguiram em passeata em direção à sede do Sindicato da Indústria da Construção do Estado (Sinduscon-PA), na Travessa Quintino Bocaiuva. Os trabalhadores pedem reajuste de 22%, cesta-básica no valor de R$ 292 e cursos de qualificação e capacitação para as operárias e demais trabalhadoras. O Sindicato das Indústrias da Construção do Estado (Sinduscon-PA) afirmou que não irá negociar enquanto os trabalhadores mantiverem a greve.
Por conta da passeata, o trânsito ficou lento no centro da cidade a partir das 10 da manhã. Ruas como Nove de Janeiro, Quintino e Braz de Aguiar tiveram o fluxo parcialmente interrompido. A Polícia Militar, a Cavalaria e homens da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) acompanharam de perto a movimentação, que seguiu pacífica até encerrar por volta de 13h. 
O Stimcb-PA não foi recebido por representantes do Sinduscon-PA e os trabalhadores retornaram à sede do sindicato. A mobilização deve seguir pelos próximos dias até que haja consenso.
A greve, que começou ontem, foi definida depois que o Sindicato dos Trabalhadores rejeitou a proposta do Sindicato da Indústria de oferecer reajuste de 9%, na última semana. Segundo o presidente do Stimcb-PA, Aílson Cunha, o movimento unificado reuniu trabalhadores de Belém, Ananindeua, Marituba e Benevides. 
No total, segundo o Sindicato, cerca de 22 mil trabalhadores cruzaram os braços. “A cesta básica é algo que nós não vamos abrir mão este ano. Há três anos nós estamos brigando por isso e consideramos que agora é hora de conseguir essa conquista. O Pará é um dos poucos Estados que não dá esse benefício aos trabalhadores”, declarou.
De acordo com Aílson, a restrição que impede a qualificação profissional das mulheres é discriminatória. “Os homens tem progressão, cursos, podem se qualificar e as mulheres não tem esse direito. Em outros Estados, isso já foi superado e todos têm as mesmas oportunidades”, disse. O presidente do Stimcb-PA classifica como “mesquinha e gananciosa” a posição do Sinduscon-PA, de não negociar com a categoria em greve. “Belém tem um dos metros quadrados mais caros do país e eles têm plena capacidade de nos dar a cesta-básica. Esse lucro a todo custo é que não pode”, opina.
O Sindicato dos Trabalhadores orientou os profissionais a se encontrarem, hoje, na sede do Sindicato, a partir das cinco da manhã. 
Em nota, o Sinduscon-PA, informou que reconhece como legítima a greve declarada pelos trabalhadores. O Sinduscon, no entanto, afirma que “lamenta a posição, historicamente adotada pelos sindicatos laborais, diante da oferta de reajustes acima da inflação, o que já vem acontecendo nos últimos anos”. 
O Sindicato diz ainda que espera que o movimento ocorra de forma pacífica e reitera a posição de “não prosseguir as negociações enquanto durar a paralisação, além de não negociar os dias parados”, completa a nota.
(Diário do Pará)

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