3 de set de 2013

Carta Aberta à TV Globo a respeito da abordagem sobre aborto provocado na novela Amor à Vida.

O Movimento Nacional da Cidadania pela Vida (Brasil sem Aborto) emitiu, esta semana, uma “Carta aberta à Rede Globo”, que levou recentemente ao ar na novela “Amor à vida” uma cena com forte propaganda abortista. Os diálogos utilizados entre os personagens da trama se deram com base em informações erradas sobre o aborto, visivelmente com intenção de formar mentalidade favorável a essa prática no país, onde não é bem vista, como apontam várias pesquisas.

Abaixo, a nota do “Brasil sem Aborto”:

Carta Aberta à TV Globo a respeito da abordagem sobre aborto provocado na novela Amor à Vida. Ilustríssimo senhor Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da TV Globo. Em cena da novela “Amor à vida”, no capítulo 82 que foi ao ar no dia 23 de agosto, a Rede Globo entrou com extrema superficialidade e com inúmeros equívocos em debate que merece ser abordado com seriedade e fundamentação. Em evento desconectado do enredo, entra em debate o aborto provocado. O personagem de um médico, chefe da residência médica, afirma que “o aborto ilegal está entre as maiores causas de mortes de mulheres no Brasil”. E afirma também que “infelizmente o aborto ilegal se tornou caso de saúde pública”. Vamos aos dados oficiais, disponíveis no Datasus: faleceram no Brasil, em 2011 (último ano a ter os dados totalmente disponíveis), 504.415 mulheres. O número máximo de mortes maternas por aborto provocado, incluindo os casos não especificados, corresponde a 69, sendo uma delas aborto dito legal. Portanto, apenas 0,013% das mortes de mulheres devem-se a aborto ilegal. Comparando, 31,7% das mulheres morreram de doenças do aparelho circulatório e 17,03% de tumores. Estes, sim, constituem problemas de saúde pública. Houve também clara confusão entre os conceitos de “omissão de socorro” e “objeção de consciência”, com laivos de intolerância à liberdade religiosa. Desconhecemos que alguma religião impeça seus membros de prestar socorro a “pecadores”. Se assim fosse, inúmeros assaltantes e assassinos que chegam baleados aos hospitais ficariam sem atendimento. Se até um bandido assassino que foi ferido no embate tem direito a atendimento médico, como caberia negá-lo em situações de sequelas do aborto? A cena foi preconceituosa para com as crenças do outro personagem médico, distorcendo-as. Ela parece mesmo pretender trazer confusão para a questão da objeção de consciência, situação em que o profissional de saúde se recusa licitamente a realizar ou participar do abortamento, uma vez que ele se forma para proteger a vida e não para tirá-la. Sabedores da influência que as novelas possuem na mentalidade do povo, demandamos que haja uma retratação das falsas impressões apresentadas, pois uma emissora deve ter compromisso com a realidade dos fatos. Se a Rede Globo deseja problematizar o debate, que o faça a partir de dados e situações verazes e não apenas reproduza determinados jargões propagandísticos pela legalização do aborto em nosso país.

Brasília, 23 de agosto de 2013.
Lenise Garcia
Presidente nacional do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida (Brasil sem Aborto)
Jaime Ferreira Lopes
Vice-presidente nacional executivo
Damares Alves
Secretária-geral

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